Eden Lake e o retrato de uma juventude grotesca…

28.01.09 - 5:52 PM Ester Castro






Eden Lake (2008)

Ontem vi o filme inglês Eden Lake (2008) e achei que ele seria importante demais para figurar apenas no quadro “filmes que andei vendo…”.
É uma espetacular produção independente escrita e dirigida por James Watkins que merece sim uma menção exclusiva.
Tudo gira em torno de um casal de noivos que apenas queriam curtir um final de semana romântico às margens de um belo lago, ponto turístico nas redondezas de uma pequena cidade. O pesadelo de ambos começa quando cruzam o caminho de um grupo de jovens delinquentes.

A despeito de ser excelente e extremamente tenso, o filme é muito mais do que uma simples sessão pipoca. A violência, a crueldade e a necessidade de autoafirmação de jovens quase crianças é o retrato assustador da mais pura realidade. E é isso que atraiu minha atenção.

Trailer de Eden Lake

É notório que ninguém mais se espante ao ver notícias sobre crianças ou pré-adolescentes que tenham empunhado armas dentro de escolas executando colegas e professores; ou jovens que tenham ateado fogo em mendigos; ou ainda gangues que vivem para o vandalismo ou para puxar briga com outras turmas.
O filme evoca justamente essa delinquência juvenil motivada pela visível ausência de razão e de limites.
O EU POSSO e o EU FAÇO se tornam armas. O fato de nada ser proibido ou vetado à estes moleques faz com que eles se tornem verdadeiros anticristos.

Aí me questiono como é possível chegar nesse ponto? Como é que um jovem ainda cheirando leite materno pode ser tão infame e recender uma crueldade tão voraz?
Eu respondo na lata: pais que não sabem educar!!

Lembrei que na novela Caminho das Índias, Glória Perez levanta bem essa questão. Filhinho de papai que faz e acontece nas ruas e no colégio e os pais simplesmente passam a mão na cabeça. Todos estão errados menos o filho. A consequência é óbvia, mais um garoto problema jogado na sociedade cujo futuro é  ainda mais óbvio -  a criminalidade.

Cena de Eden LakeEm Eden Lake isso é bem explícito. Só que em uma situação bem mais extrema. Jovens que tem o aval dos pais mesmo em questões que envolvam crimes. Sentem-se absolutamente invencíveis.
O céu é o limite…. ou devo dizer inferno?
É assustador o quanto isso é real… A sociedade está cheia disso…

Pais que não sabem ser pais correm o risco de produzir bestas humanas e sabe como isso começa? Lá atrás, quando a criança ainda engatinha, já pronuncia as primeiras palavras e já esboça suas vontades.
Se ela desde então não começar a escutar um NÃO quando for necessário, perde-se o controle. É nessa fase que muitas vezes a criança já levanta a mão, seja para os pais ou qualquer outra pessoa, isso quando já não dá um tapa deliberado em alguém e muitos pais acham isso engraçado, vangloriando a criança tão pequena e tão valente. Um absurdo!!

O passo seguinte é acreditar sempre na versão que o filho apresenta e jamais questionar a hipótese dele estar errado. E se alguém contar qualquer coisa errada que o filho tenha feito, essa pessoa é crucificada. “Ah, não aceito que falem mal do meu filho!” Não é assim que acontece?

Sabe, são essas e outras pequenas coisas aliadas a própria falta de senso moral, crítico e ético para educar e moldar um ser humano de bem, que acabam sendo a válvula de escape para a formação destes monstros transbordantes de hormônios totalmente insanos e violentos.
Isso é assustadoramente alarmante…

Finalizando, quem puder, assista Eden Lake e reflita. Filmaço!









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  1. alessa
    28, abril, 2011 em 14:13 | #1

    o filme realmente e muito bom…ele fala de uma realidade que não esta muito distante de nós,maus exemplos vindo de dentro de casa e falta de limites podem sim gerar consequencias desastrosas na educação dos jovens..mas tbm existem pessoas que nascem sim com tendencias a criminalidade,a crueldade e a total falta de escrupulos…cada caso é um caso..asim como cada pessoa é uma pessoa…

    ps:só o final do filme que é frustrante…

  2. Letícia
    14, julho, 2009 em 19:34 | #2

    respondendo Libanio: O homem educado ¬¬'

  3. Andson
    24, março, 2009 em 20:16 | #3

    Primeiro, vc perdeu uma ótima oportunidade de analisar o filme, já que achou tão bom: saiu do contexto de crítica de cinema e virou artigo comportamental. Mas, o blog é seu e, portanto, escreve como quiser.

    Eu não cocordo inteiramente com a opinião do texto, pois acho que a educação dos pais na personalidade das pessoas é hiper valorizada, mas esquecem "aquilo" que já nasce com a pessoa, que é o que as difere. Se fosse assim tão funadamental a criação, irmão seriam iguais. Temos vários exemplos na história de indivíduos que tiveram uma educação primorosa e pais amáveis e se tornaram assassinos em série cruéis! Claro que se deme impor limites, que a criação influencia, o meio tb, mas não só isso…. Valeu!

    • Liander
      18, agosto, 2009 em 00:00 | #4

      Discordo sobre a educação dos pais estar sendo supervalorizada. Esse papo sobre irmãos não tem fundamento, pois nenhum irmão é igual. Todos nasceram em suas respectivas data, viverem seus respectivos contextos de vida (e o de seus pais), tiveram suas próprias turmas na escola, etc. A questão é o pouco tempo e energia que os pais tem atualmente para dedicar aos seus filhos e o contexto social da atualidade e seus valores (ou falta deles). E não tem como se discutir a vida e a natureza desses indivíduos da história que citou, pois vc (e eu) não sabe e não acompanhou realmente e com exatidão a história de vida deles. Não é só de carinho ou só de limites que se educa uma criança, cada um deve ser usado no momento certo.

      Acredito que essa discussão seja válida, pois o filme trata disso também e está presente na vida de todos nós. Basta observar a reação absurda da garçonete durante o filme, o próprio ambiente de discussões no qual viviam, a forma violenta com a qual todos se tratavam, as longas jornadas de trabalho para manter os tão "necessários" luxos vendidos pelo capitalismo…

      E vale lembrar que o problema apresentado no filme e vivido por todos nós merece também uma ação do governo e das instituições educacionais (escola e/ou prisões, hehehe). Aqui no Brasil, por exemplo, se pune da mesma forma o ladrão de galinhas e o estuprador ou a "vítima" e o agressor, no caso da escola.

  4. Sebastan
    31, janeiro, 2009 em 03:09 | #5

    Vendo trailer deste filme e seus comentários parece que os jovem não tem limite pelo menos ai, porque aqui onde estou no interior da Inglaterra eles tem, porque eles sabem que por muito menos eles vão parar atrás das grade bem rápido.Aqui eles podem quase tudo mais sabe que a lei aqui é cumprida e muito rápida.

  5. 30, janeiro, 2009 em 06:10 | #6

    Acho que não é bem essa a causa… Fui criado mais ou menos da maneira que você falou aí e não sou um desses "monstros transbordantes de hormônios totalmente insanos e violentos."

    A agressividade com certeza é um traço da personalidade, traço que muitas vezes é visto como bom na sociedade atual(afinal, ser rebelde tá na moda), e isso tende a aumentar por causa da seleção natural, veja quem consegue mais mulheres: O homem educado e moderado, ou o bullier agressivo?

  6. João
    29, janeiro, 2009 em 07:50 | #7

    Confesso que não li o post inteiro.

    Escrevo aqui só para dizer que o roteiro se parece muito com o de um filme francês chamado Ils.

    Abraços

  7. 28, janeiro, 2009 em 22:52 | #8

    Eu sempre discuto com a minha mãe e minha sogra sobre o quanto elas mimam meus filhos. Aqui em casa a gente costuma dizer que sem controle vamos acabar criando "monstrinhos"

    Sobre o filme, ainda não vi, mas parece ter uma premissa similar a "Os estranhos". Se for só um pouco parecido já vale a pena

    FLWS!!!

  8. 28, janeiro, 2009 em 15:19 | #9

    Então basicamente é "Os Estranhos" só que do jeito que deveria ter sido feito: bem melhor. :cool:

    A premissa é idêntica. Casal jovem recluso em casa de campo é atacado por jovens delinquentes com consequências trágicas huahauh A sinopse dos dois é idêntica heheh

    Mas, eu acredito que como todo bom cinema inglês, os britânicos fizeram a lição de casa e capricharam nesse. Vou conferir com o pessoal aqui de casa. Ele tá em DVD ou na internet? :cebolinha:

  9. 28, janeiro, 2009 em 15:14 | #10

    Difícil enumerar as causas da delinquencia juvenil, já que tantos são os fatores influenciáveis… Acredito que mais do que a superproteção, a ausência física, emocional e moral dos pais é o maior agravante.

Fechado para comentários.