E agora, José?

02.01.09 - 10:05 PM Ester Castro






Cão por Diogo Martins
Fotografia de Diogo Martins

… já perguntava o nosso querido Carlos Drumond de Andrade.

Fim de festa. Já estamos num novo ano. Muitas coisas continuarão na mesma, outras piorarão e outras darão sinais tímidos de melhora. Em outras palavras, entra ano e sai ano apenas trocamos pato por ganso.
Claro que precisamos nos limitar ao otimismo e esperar que amanhã seja melhor que ontem. Assim é a vida. Já  estamos letrados nisso. Do contrário, ou não haveria demanda suficiente de Prozac ou as pontes e viadutos da vida precisariam de senha…

Ocorre que já começamos o ano com essa reforma ortográfica vigorando.
Ah sim, bacana, vai ser ótimo unificar os países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) mas e aí, quem ou o quê vamos lucrar com isso??
Editoras vão gastar milhões com revisores ortográficos e substituição de livros didáticos antigos mas JURAM que não irão repassar o custo ao consumidor. Será?
E o que esse tira e põe de acentos, junta e separa palavras, bota e tira letras vai me trazer de benefícios a não ser uma puta confusão mental e a deprimente sensação de ter que voltar à alfabetização mesmo já tendo um curso superior na cacunda? Hã? Hã?

Ah não, mas é que as preocupações do cidadão brasileiro são tão irrelevantes, que era preciso arranjar um troço pra ocupar a cachola desse povo né?
Problemas? Que bobagem…
Se o “José” conseguir vaga para os seus cinco filhos na escola mais próxima, ótimo! Se não, bão também. Estudar pra que se o que se aprende hoje, amanhã não vai mais estar valendo. E na pior das hipóteses, ainda se pode ser Presidente da República!
E se um revertério na economia lhe custar o emprego que já lhe paga uma merreca, não tem problema, afinal que embecil passaria fome no “celeiro do mundo”, não é mesmo?
O “José” só precisa rezar umas novenas pra não arranjar uma apendicite e precisar de atendimento imediato num hospital público. Mas o santo há de ser forte porque pobre precisa ter saúde pra correr atrás do resto.
E se o “José” se meter num fogo cruzado entre traficante e bandido, então é só cavar um buraco no chão e se esconder. Aí se ele levar uma bala no meio dosx córrno, já economizou até a grana da cova. Pronto. Despesa a menos pra família e pro governo.
Preocupar-se com o quê e para quê, não é verdade?

A única preocupação e  necessidade em evidência no momento é que “José” saiba que agora ele pela o pelo do porco, que precisa fazer tudo benfeito, que ele não para para almoçar, que ele nem tente mudar de ideia e que deixe de enjoo. Salutar não?????

“E agora,…
José, pra onde?”

“José”  não precisa ter pressa para ir a lugar nenhum. Vai ter tempo de sobra até 2012 pra surtar de vez e contar com a própria sorte pra conseguir comer, morar e sobreviver.

E sim. Acho essa reforma ortográfica uma total falta do que fazer. Eu aplaudiria de pé uma reformulação nas leis penais, mas essa mudança na gramática que faz a gente escrever certo parecendo que tá escrevendo errado, é ridícula!!!

Leituras complementares:
Reforma ortográfica sacode as editoras e gira milhões
Veja o que muda na língua portuguesa com a reforma ortográfica
Flash com um resumo da reforma ortográfica









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  1. Pedro Dini
    8, janeiro, 2009 em 09:04 | #1

    Belas palavras

  2. 5, janeiro, 2009 em 13:15 | #2

    :toin: Pior que é capaz de confundirem com reforma pornográfica, e em vez de mexerem nos hifes vão querer colocar as mão no hímen.

    E agora, mixórdia continua com assento?

    A verdade é que o povo, esta de olho é no BBB 2009. :haha: :haha:

  3. Mari
    4, janeiro, 2009 em 19:24 | #3

    essa reforma é mesmo um saco…

    meia dúzia de acadêmicos decidem fazer um 'acordo' pra decidir que milhões de habitantes devem seguir uma nova ortografia de uma hora para outra.

    e aos diretamente atingidos, nós, o povo que escreve, só resta aceitar o que foi decidido… só que a nós, não perguntaram nada.

    e esses dias ainda li um desses ilustres estudiosos responsáveis pelo 'acordo' afirmar o seguinte: 'povo brasileiro, confie em seu acadêmicos'… ha, ha… mas nem em sonho.

  4. 4, janeiro, 2009 em 05:44 | #4

    Ester!

    Sou do tempo em que farmácia e fósforo (continuam acentuadas?) escreviam-se com "ph" e já perdi a conta de quantas reformas foram feitas, quase tantas quantas foram as do nosso (pobre) dinheirinho… Mas, como tudo neste (incrível e fantástico!) país, acaba bem, (em samba ou pizza), logo esse assunto será ultrapassado por outro tão ou quanto bizarro.

    Todavia, não deixo de concordar com você: há muito mais importante para ser fazer, como bem mencionado no caso da reforma penal.

    Grande abraço!

  5. 3, janeiro, 2009 em 21:37 | #5

    A greande questão é: será que essa reforma era mesmo necessária? O inglês não tem duas pronûncias e várais palavras com grafias diferentes, para não falar outros idiomas. É uma questão de identidade.

    Uma cosia é certa muita gente vai lucrar com isso. E esse com certeza, não seremos nem eu e nem você.

  6. 3, janeiro, 2009 em 19:50 | #6

    Pois é José..

    A reforma deverá ser assimilada em 4 anos, tempo que teremos para engolir definitivamente as mudanças…2012 …se vingar a profecia maia…de nada valerá.

    Belo post.

  7. ricardo aluizio cobr
    3, janeiro, 2009 em 17:47 | #7

    Poooooooo to triste com 63anos tenho que vortar a escola pois tudo que eu prendi ta por fora. lembrei no brasil com 40 anos nois vira adubo na chacara do padre :puke: :sad:

  8. 3, janeiro, 2009 em 15:12 | #8

    Muita coisa tem de ser feita e não é. Vamos ver no que vai dar, como você falou, vamos ter que aprender tudo de novo, mas a corrupção continua, os crimes continuam e não se reforma nada. Abraços

  9. 3, janeiro, 2009 em 10:41 | #9

    Engraçado que no dia primeiro escrevi um texto sobre a pedofilia que por acaso não é um crime hediondo. A lei que resolveria isso está tramitando em Brasília sem previsão de sair. Já uma besteira destas todo mundo aplaude…

    Gostei muito do seu texto. Devemos também lembrar que antes de fazer a reforma ortográfica o povo brasileiro precisa primeiro aprender a escrever.

    Daqui a 12 anos o miguxês vai entrar na reforma ortográfica, não acha?

  10. 3, janeiro, 2009 em 09:21 | #10

    @Tranceman

    Sim sim, as editoras serão sim os "novos bancos" do capitalismo.

  11. 3, janeiro, 2009 em 08:39 | #11

    Pô Ester, voce me deixou com dois problemas na cabeça.

    Eu tambem sou José, então como fico?

    A Drogaria de Idéias vai ter que perder o acento?

    Quanto às editoras, de quem voce acha que foi o lobby pra aprovar essa reforma?

    Elas não vao perder nada, pois todos os livros escolares terão que ser recomprados, especialmente pelo governo. Isso tambem responde sua pergunta sobre a unificação dos países. As editoras vão poder vender a mesma edição para todos, portanto são elas que vão lucrar com isso.

    FLWS!!!

  12. 2, janeiro, 2009 em 20:25 | #12

    Desde o início, eu achei essa reforma uma perda de tempo. Principalmente o fim da trema. Isso não vai trazer benefício algum para ninguém.

  13. 2, janeiro, 2009 em 19:26 | #13

    :palmas: :palmas: :palmas:

    Belas palavras, concordo totalmente com tudo que disse!

  14. 2, janeiro, 2009 em 19:26 | #14

    :palmas: Chegou exatamente onde eu queria. Tempo pra fazer reforma ortográfica esse povo tem, mas mudar as legislações penais não né? Violência comendo solta e essa gente preocupada se você vai levar um tiro no meio das "ideia" :angry:

    Revoltante!!! :toin:

    Muito bem dito, dona Ester…

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