E agora, José?
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Fotografia de Diogo Martins
… já perguntava o nosso querido Carlos Drumond de Andrade.
Fim de festa. Já estamos num novo ano. Muitas coisas continuarão na mesma, outras piorarão e outras darão sinais tímidos de melhora. Em outras palavras, entra ano e sai ano apenas trocamos pato por ganso.
Claro que precisamos nos limitar ao otimismo e esperar que amanhã seja melhor que ontem. Assim é a vida. Já estamos letrados nisso. Do contrário, ou não haveria demanda suficiente de Prozac ou as pontes e viadutos da vida precisariam de senha…
Ocorre que já começamos o ano com essa reforma ortográfica vigorando.
Ah sim, bacana, vai ser ótimo unificar os países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) mas e aí, quem ou o quê vamos lucrar com isso??
Editoras vão gastar milhões com revisores ortográficos e substituição de livros didáticos antigos mas JURAM que não irão repassar o custo ao consumidor. Será?
E o que esse tira e põe de acentos, junta e separa palavras, bota e tira letras vai me trazer de benefícios a não ser uma puta confusão mental e a deprimente sensação de ter que voltar à alfabetização mesmo já tendo um curso superior na cacunda? Hã? Hã?
Ah não, mas é que as preocupações do cidadão brasileiro são tão irrelevantes, que era preciso arranjar um troço pra ocupar a cachola desse povo né?
Problemas? Que bobagem…
Se o “José” conseguir vaga para os seus cinco filhos na escola mais próxima, ótimo! Se não, bão também. Estudar pra que se o que se aprende hoje, amanhã não vai mais estar valendo. E na pior das hipóteses, ainda se pode ser Presidente da República!
E se um revertério na economia lhe custar o emprego que já lhe paga uma merreca, não tem problema, afinal que embecil passaria fome no “celeiro do mundo”, não é mesmo?
O “José” só precisa rezar umas novenas pra não arranjar uma apendicite e precisar de atendimento imediato num hospital público. Mas o santo há de ser forte porque pobre precisa ter saúde pra correr atrás do resto.
E se o “José” se meter num fogo cruzado entre traficante e bandido, então é só cavar um buraco no chão e se esconder. Aí se ele levar uma bala no meio dosx córrno, já economizou até a grana da cova. Pronto. Despesa a menos pra família e pro governo.
Preocupar-se com o quê e para quê, não é verdade?
A única preocupação e necessidade em evidência no momento é que “José” saiba que agora ele pela o pelo do porco, que precisa fazer tudo benfeito, que ele não para para almoçar, que ele nem tente mudar de ideia e que deixe de enjoo. Salutar não?????
“E agora,…
José, pra onde?”
“José” não precisa ter pressa para ir a lugar nenhum. Vai ter tempo de sobra até 2012 pra surtar de vez e contar com a própria sorte pra conseguir comer, morar e sobreviver.
E sim. Acho essa reforma ortográfica uma total falta do que fazer. Eu aplaudiria de pé uma reformulação nas leis penais, mas essa mudança na gramática que faz a gente escrever certo parecendo que tá escrevendo errado, é ridícula!!!
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Leituras complementares:
-Reforma ortográfica sacode as editoras e gira milhões
-Veja o que muda na língua portuguesa com a reforma ortográfica
-Flash com um resumo da reforma ortográfica


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Admin


Revoltante!!! :toin:
Muito bem dito, dona Ester…
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Belas palavras, concordo totalmente com tudo que disse!
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Eu tambem sou José, então como fico?
A Drogaria de Idéias vai ter que perder o acento?
Quanto às editoras, de quem voce acha que foi o lobby pra aprovar essa reforma?
Elas não vao perder nada, pois todos os livros escolares terão que ser recomprados, especialmente pelo governo. Isso tambem responde sua pergunta sobre a unificação dos países. As editoras vão poder vender a mesma edição para todos, portanto são elas que vão lucrar com isso.
FLWS!!!
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Sim sim, as editoras serão sim os “novos bancos” do capitalismo.
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Gostei muito do seu texto. Devemos também lembrar que antes de fazer a reforma ortográfica o povo brasileiro precisa primeiro aprender a escrever.
Daqui a 12 anos o miguxês vai entrar na reforma ortográfica, não acha?
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A reforma deverá ser assimilada em 4 anos, tempo que teremos para engolir definitivamente as mudanças…2012 …se vingar a profecia maia…de nada valerá.
Belo post.
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Uma cosia é certa muita gente vai lucrar com isso. E esse com certeza, não seremos nem eu e nem você.
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Sou do tempo em que farmácia e fósforo (continuam acentuadas?) escreviam-se com “ph” e já perdi a conta de quantas reformas foram feitas, quase tantas quantas foram as do nosso (pobre) dinheirinho… Mas, como tudo neste (incrível e fantástico!) país, acaba bem, (em samba ou pizza), logo esse assunto será ultrapassado por outro tão ou quanto bizarro.
Todavia, não deixo de concordar com você: há muito mais importante para ser fazer, como bem mencionado no caso da reforma penal.
Grande abraço!
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meia dúzia de acadêmicos decidem fazer um ‘acordo’ pra decidir que milhões de habitantes devem seguir uma nova ortografia de uma hora para outra.
e aos diretamente atingidos, nós, o povo que escreve, só resta aceitar o que foi decidido… só que a nós, não perguntaram nada.
e esses dias ainda li um desses ilustres estudiosos responsáveis pelo ‘acordo’ afirmar o seguinte: ‘povo brasileiro, confie em seu acadêmicos’… ha, ha… mas nem em sonho.
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E agora, mixórdia continua com assento?
A verdade é que o povo, esta de olho é no BBB 2009. :haha: :haha:
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