October 28th, 2009 - 10:58 AM por Ester Beatriz
É comum ver isso acontecer. Atores que desempenham certos personagens, especialmente em séries ou filmes sequenciais, perderem terreno para seus personagens.
Quando um roteirista cria um personagem, cria apenas um esboço de como pretende que ele seja. Mas é quem o interpreta que empresta vida à ele contribuindo com elementos que acabam se caracterizando e se tornando intrínsecos à este personagem.
Existem atores que são verdadeiros camaleões e podem interpretar inúmeros papéis sem que façamos qualquer ligação entre eles.
Já outros ficam estigmatizados. O personagem fica tão impregnado que qualquer tentativa de desempenhar um outro papel em outro trabalho é fadada à frustração. Parece que não combina. A criatura tomou posse do criador e ponto final.
Mas isso não significa que os camaleões são melhores que os estigmatizados ou vice-versa. Incorporar um personagem de corpo e alma é um dom inquestionável. O que ocorre é que enquanto uns conseguem desenvolver várias facetas, outros se tornam reféns de sua maior criação perdendo suas próprias identidades.
Abaixo relacionei alguns exemplos clássicos que comprovam o que eu quero dizer.

Já pensou se Hugh Laurie tivesse sido condenado a ser apenas o pai de um ratinho branco e a ter cabelo lambido para sempre? Nãããooooo…
Pois é. Felizmente mesmo depois de três filmes sendo o sem sal e inexpressivo Sr. Little praticamente ninguém lembra que ele fez esse papel.
Então eis que a vida lhe trouxe de presente o espetacular mestre do sarcasmo inteligente, Dr. House. Pronto. Não existe mais o Sr. Little e tampouco o próprio Laurie. Onde quer que ele vá, será sempre o House.

Jim Parsons como nerd meio afeminado e mega hilário Sheldon da fodáxima série The Big Bang Theory. Consegue imaginar esse cara ser mais alguém além de Sheldon? Eu não.

Esse aí então nem se fala. Não importa o que Elijah Wood fizer, ele sempre terá cara de Frodo.

Adooooro o Chandler Bing!! Ou será o Matthew Perry? Ou Chandler? Ou Matthew??
Bom vocês entenderam. Só quem devorou Friends irá concordar que esse é mais um caso perdido. #inconfundível

Já no caso de Kiefer Sutherland que a despeito de ter se miscigenado ao fodão Jack Bauer de 24 Horas prefiro acreditar que não existe mais o Kiefer, somente o personagem. Pelo menos Jack Bauer jamais faria isso e nem isso.

Eu vi outros filmes com Jason Segel mas não consegui enxergar nele outro personagem que não fosse o marmanjão desengonçado Marshall Eriksen da deliciosa série How I Met Your Mother. Parece que ninguém mais faria melhor o Marshall no lugar de Jason e este não consegue ter outra cara senão a de Marshall.

No caso de Daniel Radcliffe talvez haja uma salvação. Ele começou a fazer Harry Potter ainda criança e embora continue fazendo sendo adolescente, ainda é muito jovem. Talvez com o passar da idade e com traços mais maduros o estigma de bruxinho fofo não perdure. Mas por hora a ligação é inevitável.
E aí, o que vocês acham?
Por que tamanha e intensa incorporação acontece? Personalidades fortes e singulares? Os criadores são tão verdadeiros que não conseguem se dividir? Ou seria realmente pouco talento para fazer outros papéis?
Durmam com esse barulho…
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