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A ingratidão de um filho é um câncer na alma

16 July, 2009 por Ester Castro | Se gostou do post, envie para alguém!


No woman, no cry Mother
Foto de alex.belyaev …………………..Foto de jhandersen

Filhos? Melhor não tê-los. Mas se não tê-los, como sabê-los?

Vinícius de Moraes

E se pudéssemos sabê-los antes de tê-los poderíamos optar por aqueles que nunca nos fariam chorar.

Isso foi insensível e cruel, Ester!!
Pode ser. Mas que tal olhar a coisa de outro ângulo.

Antes de ser mãe eu também sou filha. Reconheço que não fui uma adolescente fácil. Tinha a vantagem de não beber, não fumar e muito menos me drogar, mas quando o lance era namorar alguém que meus pais não aprovavam, o bicho pegava.
Na época eu não entendia mas hoje sendo mãe, descobri que brota nos pais um sentimento egoísta em relação aos filhos: NUNCA alguém será bom o bastante para eles.
Não que isso deva ser levado a termo afinal todos temos defeitos, mas os pais se tornam seletivos mesmo que involuntariamente.

Só que os filhos crescem e vão para o mundo. Não dá pra fugir disso. Mas também não dá pra fugir do medo que os pais tem de que todos os ensinamentos e a base familiar sólida não consigam sobreviver às influências do meio. Medo esse que quase sempre se concretiza.

Mas tudo bem. Continuando.

Você foi para o mundo? Conheceu alguém e se casou em uma semana? Pegou todo mundo de surpresa e ninguém entendeu nada? Foda-se! Todo mundo é livre pra tentar a felicidade ou quiçá ferrar com a sua própria vida como bem entender desde que seja macho o bastante para enfrentar as consequências, não é mesmo?

MAS…..indo direto ao ponto…
Não importa o caminho escolhido, se está feliz ou não, JAMAIS esqueça de onde veio.
Não aja como se tivesse nascido de chocadeira bradando aos quatro ventos que não precisa mais de pai e mãe (ainda precisando) e que chegou até onde está pelos próprios méritos. Bullshit!
Não aumente a sua gama de erros tripudiando sobre os nove meses que sua mãe passou deitada pra garantir que você nasça vivo ou dos anos de sol e chuva na cacunda do seu pai trabalhando duro para que você pudesse ter as regalias que seus irmãos mais velhos não tiveram.
Não meu querido. Não se esqueça que você é o que é, porque teve a honra de ter os pais que tem. Se você consegue o mínimo de respeito de alguém, é graças ao nome que teu pai te deu.
E se você deve alguma gratidão à alguém, é somente, única e exclusivamente à quem te criou, mesmo que você tenha se tornado um produto do meio e jogado no ralo o que você herdou de berço.
E tenha mais uma certeza. Se amanhã a vida te colocar na merda, os únicos dotados de todo o amor incondicional do mundo que irão lhe estender a mão, serão aqueles aos quais você agora tanto menospreza. Acredite, o tempo é mestre em pregar essas ironias…

Quer um conselho? Deixe a soberba de lado e volte a dar aquele abraço apertado de filho amoroso enquanto você ainda pode e não tenha medo de dizer um muito obrigado.
Esse é o lenço que sua mãe espera…
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Esse texto eu escrevi para alguém que está ocupado demais com os venenos e caprichos alheios para ler o que sua irmã escreve. Whatever

Desculpem o desabafo.





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21 Comentários

  • Paula says:
    Lendo o começo do seu post, lembrei desse texto do Kalil Gibran

    “Seus filhos não são seus filhos. São os filhos do desejo da Vida por si mesma.
    Eles vem através de vós, mas não são de vós. E apesarem de estarem convosco, não vos pertencem.
    Podem dar seu amor, mas não seus sentimentos, eles tem os seus próprios.
    Podem abrigar seus corpos, mas não suas almas, pois suas almas vivem no amanhã, a qual vocês não poderão visitá-la, nem mesmo em sonhos. Podem vocês esforçar-se em ser como eles, mas não tentem faze-los ser como vocês.Porque a vida não volta, nem permanece no ontem. Voces são como arcos, dos quais seus filhos são arremessados. O arqueiro ve o alvo no caminho do infinito e ele lança seu poder nas flechas, para que elas possam ir longe e velozes.
    Deixem que o arqueiro os curvem com alegrias, pois assim como ele ama a flecha que voa, ele ama o arco que é estavel.”

    Pena que o final não se encaixa nada com o final do seu post…

    Responder

    Ester Beatriz Respondeu:

    Então Paula, eu queria muito que pudéssemos encarar essas situações com a mesma poesia. Seria mesmo mais indolor, mais racional e sem efeitos colaterais.
    Mas a vida não é assim. A gente ama um filho mais que a própria vida mesmo que para ele isso não tenha a menor importância. Os pais nunca são inimigos dos filhos mesmo que eles acreditem nisso.
    Temos a consciência de que eles vão para o mundo e não importa o que façam, desejamos com toda a força do âmago que tenham saúde e sejam felizes não importa onde e com quem. Mas façam o que fizerem, filhos não tem o direito de perder o respeito por um pai ou uma mãe. Não por estes pais.

    Responder

  • Mariana says:
    Wow…
    Direto, sem rodeios, duro e real.

    Responder

  • Mustaphá says:
    Me pergunto se 9 meses na barriga e o sol na cabeça dos pais dão a eles carta branca para tratar os filhos como quiserem.

    Sei que não deve ser o caso que você está narrando, mas lembre-se que toda generalização é burra e existem pais que não são exemplo para ninguém.

    Pode ter certeza que existem filhos que contam os dias para sair de um lar onde eles não se sentem felizes e acredite que existem pais que não gostam dos filhos.

    Responder

    Ester Beatriz Respondeu:

    Me pergunto se 9 meses na barriga e o sol na cabeça dos pais dão a eles carta branca para tratar os filhos como quiserem.

    Mustaphá, acho que você é inteligente o bastante pra saber que a criação de um filho não se resume apenas nisso.

    E não houve generalização. Não sei se notou, foi um desabafo.
    Sei que há casos e casos, mas os pais em questão são sim os melhores que uma pessoa poderia ter e dos quais pode se orgulhar.

    Responder

  • Momento revoltz total.

    Mas gostei dessa significação pai, irmão, irmã, pra mostrar que os mesmos pais podem gerar, criar e largar filhos da “mesma forma” e acabarem totalmente diferentes.

    Cada caso é REALMENTE um caso a parte. E acho que você deixou isso bem claro, Ester. Longe de ser uma generalização, seu desabafo demonstra o completo oposto da generalização… Se o leitor for esperto, claro.

    Responder

    Ester Beatriz Respondeu:

    Valeu Fernando!
    Sabia que você captaria a mensagem… ;)

    Responder

  • Nanda Becker says:
    So true!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Vou até twittar esse post.

    bjs

    Responder

  • Camila says:
    Quem não entendeu é por que não tem uma cria para se preocupar. Mesmo que essa cria seja um animalzinho, já da para ter uma idéia do que é ter filho, as preocupações. Sou mãe e irmã, entendi o que queria e já fiz isso diversas vezes, e acredito que ainda terá outras tantas vezes. Não posso te dá conselhos pois não sei o que se passa, mas no meu caso eu apenas esperei a altura que a pequenina caçulinha foi e o tombo que levou e ri, e repetir o sermão chato…

    Responder

    Ester Beatriz Respondeu:

    De fato Camila. Acho que só quem tem filhos pode realmente mensurar a preocupação de um pai ou uma mãe…

    Responder

  • Maria Irene says:
    Se eu pudesse fazer chegar esse texto (tão bem escrito, por sinal) a quem está merecendo… Mas infelizmente não, posso. Infelizmente, na verdade, para ele, que tem pais maravilhosos porém os trata pior do que não sei o quê. No fundo mesmo, é um coitado. Quando se arrepender (e este dia há de chegar), será tarde de mais!
    Obrigada por este belo texto!

    Responder

    Ester Beatriz Respondeu:

    Obrigada Maria.
    Vejo que questões similares à essa são recorrentes… :)

    Responder

  • Tor says:
    Tem gente que é tão feliz…! ¬¬

    Responder

  • Ionaldo says:
    excelente texto,a mais pura verdade sobre a vida.
    Parabéns.

    Responder

  • Acácia says:
    Bom lendo esse texto vejo minha mãe que tanto lutou na vida para criar os filhos sem pai, e depois de adultos tem a grande decepção de ve-los presos por causa de drogas tão bem criados trabalhadores num dia e criminosos no outro e uma MÃE que apesar de tanta ingratidão chora,sofre e eu aqui sem poder tirar essa dor do coração dela..ver sua Mãe chorar é muito triste… Mas como saber não é, se o filho nos trará mais alegrias que tristezas….

    Responder

    Ester Beatriz Respondeu:

    Não há como saber Acácia, por isso é preciso tê-los, vivê-los, amá-los, ser feliz e sofrer junto com eles.
    Assim é a vida e cada um enfrentará os desvelos que lhe couber… ;)

    Responder

  • Andrea R.M. says:
    Ester…
    Parece que sou eu a escrever sobre a adolescencia sem drogas porem apaixonada.. sobre a consciencia de que qdo nos tornamos pais somos seletivos,egoistas enfim..
    Se me permite, copiarei o texto e enviarei ao meu unico irmao que infelizmente parece nao ter coração..
    Meus pais sofrem demais com sua ingratidão e indiferença..
    Abraços

    Responder

  • Sônia Cristina says:
    Oi, Ester. Coloquei outro nome, infelizmente não posso colocar o meu porque não quero que meu único irmão leia. Também passo por isso. Meu irmão foi adotado com 15 dias de nascido. Ele foi muito amado. Ele sempre foi gentil, amoroso e responsável. Tudo mudou quando casou. Meu já faleceu. Minha mãe e eu sofremos com a sua indiferença. A mulher dele nos distratou no dia do casamento. Ficamos doentes porque não entendemos até hoje o que ocorreu. Ninguém entende. Se afastou de todos os antigos e melhores amigos (inclusive os de infância) e da família. Eu ajudei a criá-lo. Éramos muito amigos. Ele é como um filho pra mim. Choro de saudades. Inclusive chorei escondido na última vez que ele esteve em minha casa há meses atrás, numa visita de 20 minutos. Ele viu os meus olhos inchados e minha tristeza, foi incapaz de perguntar qualquer coisa. Ficou mudo e triste. Quando perguntei o que lhe fiz para receber isso, ele me respondeu que não tem e nunca teve nada contra mim. Ela sempre foi estranha, nunca quis amizade e aproximação. Fizemos tudo que podíamos para ajudar, até fiadora fui deles. Minha mãe teve um derrame e eu um princípio de infarto, tudo por causa da tristeza. Ele parece um homem de gelo. Rezo muito e peço a Deus que um dia ele caia em si. Ela foi abandonada, não tem família. Talvez não saiba o que amor de pai, mãe e irmãos. Já estou me recuperando. É triste ouvir minha mãe chorar, se lamentar e sofrer. Acho que é isso que me deixa mais doente. Desejo que vc tenha sorte com seu irmão. Fica com Deus!

    Responder

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