A Cultura da Irresponsabilidade by @silviamarques

23.09.10 - 9:43 AM Ester Castro






Charge by Ique
Charge by Ique®

Onde está a raiz dos males do país? Por que as leis continuam vagas, falhas e pífias? Por que a “escola da vida” forma cada vez mais delinquentes? Por que a política nesse país se torna cada vez mais repulsiva quando deveria ser enaltecida? Por quê? Por quê? Por quê?

Novamente, claro que com todo aval de Silvia Marques, reproduzo mais um texto seu que não merece ficar limitado apenas ao TwitLonger, onde ela divaga com maestria sobre esse círculo vicioso e endêmico em que tudo tende acabar em pizza…

…. Já há algum tempo, venho me sentindo indignada com a onda de criminosos caras de pau que estamos vendo no Brasil. Desde políticos corruptos a assassinos brutais, o Modus Operandi atualmente não se limita ao crime, mas inclui também tripudiar a sociedade e subestimar a inteligência de um país inteiro. Dinheiro público em malas, meias, cuecas e gavetas, e os responsáveis nada sabem, nada viram, desconhecem os fatos. Sobra sempre para meia dúzia de testas de ferro, que, diga-se de passagem, são muito bem-recompensados para se submeter a esse papel, e tudo bem, todo um país é feito de idiota, nosso QI é reduzido a um dígito e a maioria de nós aceita passivamente, dando razão para os que consideram o povo imbecil.
Basta dizer “eu não sabia”, desafiando a lógica e o bom senso, e todos os fatos são magicamente transformados em intriga da oposição, complô da imprensa ou algo que o valha. O pior é ver pessoas esclarecidas, inteligentes e educadas acreditando nesses contos de fadas em que mocinhos são traídos por bandidos malvados no gabinete ao lado sem desconfiarem de nada. O brasileiro precisa deixar de pensar com a emoção, com a ideologia, e recorrer à razão, pensar logicamente sobre as chances da maior autoridade de um gabinete ter ou não controle das ações de seus subordinados e de estar ou não envolvida nessas ações.
Aí temos a outra categoria de cara de pau: Os criminosos sanguinários que desafiam todas as leis, inclusive as da física. Não basta matar a vítima, é preciso também assassinar a alma de seus familiares e subestimar a capacidade de raciocínio de todo um país. No Edifício London, onde foi tirada a vida de Isabella, entrou um híbrido de The Flash e Homem Invisível, que, em questão de segundos, atirou a criança pela janela e saiu sem ser visto por ninguém. Eliza Samúdio fugiu para a Colômbia e todas as evidências, inclusive registros telefônicos e de GPS, são meras coincidências. Uma prostituta voadora adentrou o carro de Mizael Bispo em movimento. Nenhum dos suspeitos ou condenados tem a vergonha na cara de admitir que a casa caiu e tomar a única atitude digna: Confessar o crime e dar paz às famílias, que precisam de um desfecho.
Cada vez que lemos os jornais, ficamos mais e mais abismados com a criatividade para criar versões fantásticas para justificar o injustificável. E parece até que nossa obrigação é aceitar esses pretextos, passar a mão na cabeça dos culpados. Pensando sobre o tema, concluí que a raíz disso tudo está na forma como a educação no Brasil é permissiva, os pais acobertam os filhos ao invés de corrigir seus erros. Quando uma criança vai mal na escola ou briga com um colega, a culpa sempre é do colega, do professor, do diretor do colégio. Não é raro ver pais e mães fazendo escândalos para exigir que os erros de seus filhos sejam apagados: “Meu filho reprovou o ano? Não reprovou, não! Eu conheço o dono deste colégio, vocês vão todos para a rua!”
Quando o filho é pequeno, “é coisa de criança”. Quando cresce um pouco, “adolescente é assim mesmo”. Mas e quando vira adulto e joga uma criança pela janela, manda aniquilar a Maria-Chuteira inconveniente ou atira o carro da namorada na represa? Aí o judiciário, a imprensa e a sociedade é que são pressionados a deixar para lá. A imagem de Antonio Nardoni defendendo o filho do indefensável será sempre emblemática. Pais como ele poderiam escrever um manual: “Como manipular o sistema ao meu favor e não me responsabilizar pelos meus erros”. É a cultura da irresponsabilidade

Link para o texto original.



Categorias: Comportamento, Tudo







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  1. Felipe Marques
    28, setembro, 2010 em 06:34 | #1

    O maior exemplo disso tudo, é essa eleição. Em quem podemos votar e confiar se qualquer um ali pode ser um "gatuno"? Só votamos porque, ainda sim, acreditamos que, um dia o Brasil possa melhorar. O problema é o desinteresse do povo, ou seja, vota em qualquer coisa que se vê na TV (principalment a Globo). Acho que devemos ser mais realistas e procurar saber a verdade (pasado e presente) de cada candidato. Mesma coisa é com relação às lei. Se 50% dos brasileiros soubessem pelo menos 50% da lei, principalmente dos benefícios, não seriam tão passivos assim. No tempo do meu padrasto, existia uma matéria na escola chamada IRPO (eu acho que é isso rsrs), onde entre outras coisas, você sabia o nome de todos os políticos importantes. E a advinha porque essa maéria não existe mais? Porque não éinteresante pro governo e muito menos pra população, porque a população acha (erradamente) que não deve saber de política porque acha chato, ou qualquer coisa o tipo, quando deveria saber sim, porque com certeza se soubéssemos melhor em quem votar (por meio de informações concretas de fontes confiáveis e não informações inventadas pelo povo ou pela mídia), com certeza nõ teria tanta roubalheira lá (roubolaion-tion…).

    Agora sobre os bandidos, nem tem muito o que falar. Talvez seja a exceção (em parte) do que eu estava dizeno logo acima. Acreditem que sabem da lei (e o quanto ela e falha), melhor do que muitos nós cidadãos de bem. Se lei fosse mudada descentemente, com medidas cabíveis (e a favor da população, não dos bandidos), não teria tanto crima acontecendo. Procure por aí quem pegou a época da ditadura, tá certo que naquela época, você não podia se expressar, porém o crime era muito menor.

    Abração a todos.

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