Mais uma vez a igreja perde pontos comigo…

Imagem Ilustrativa
Fotografia de Erika Lais
A menina de 9 anos grávida de gêmeos pelo padrasto que a violentava desde os 6, foi manchete em tudo quanto é veículo de comunicação.
Não vou nem remoer isso.
A demência do protagonista dessa atitude escrota é por demais complexa. Por mais que eu exaura os minguados neurônios do meu cérebro de loura para tentar entender ou encontrar uma explicação, vejo que é inútil. Melhor deixar pra lá antes que minha massa cefálica sofra um tilt.
Ocorre que o caso desfechou ontem quando a menina teve a gravidez interrompida por um aborto induzido, aborto esse amparado pelos dois incisos do Art. 128 do Código Penal:
Art. 128 – Não se pune o Aborto praticado por médico:
Aborto Necessário
I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;Aborto no Caso de Gravidez Resultante de Estupro
II – se a gravidez resulta de estupro e o Aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
Também não é necessário entrar no mérito dessa questão por razões óbvias. Até mesmo os que acreditam que 2+2 seria 5 irão concordar com a decisão dos médicos. Uma criança gerando outras duas crianças oriundas de um estupro é uma violência não só ao corpo mas também ao espírito. É um caso em que a razão precisa e deve prevalecer.
Mas o que me deixou ainda mais perplexa foi a postura da igreja diante desse aborto. Ahhh tenha dó!!!
Com o perdão da expressão chula, vai cagar na latinha e limpar com a beirada !!!!!
Pra variar o lado conservador da igreja gera uma polêmica em torno de algo que sequer merecia ser questionado.
Todo aquele papo de lei superior divina e princípios morais devem ser mesmo mais importantes do que a vida de uma criança que já sofreu o inimaginável e que seguiria pagando toda a sorte de preços por algo de que não tinha culpa, não é mesmo?
Resultado: os envolvidos na decisão favorável ao aborto, entre eles os médicos e a mãe da criança, receberam todos a excomunhão da igreja.
Imagino a cara de preocupação dos excomungados…
Segundo o arcebispo da proeza, a igreja é benévola.
Sim… é tão benevolente que excomunga aqueles que de fato salvaram a menina enquanto que aquele filho de uma quenga causador do mal não recebe nenhuma punição “divina”.
Existe alguma coerência nisso??










